SOLO SAGRADO
Distante, névoa na serra.
Cerração.
Lá vem de novo chuvinha miúda
nas copas das árvores deslizando,
perfurando os ninhos.
Soninho...
Eu, poeta, sonho.
Eu, espécie humana,
invado, sem querer, o cenário.
Não quero que o momento passe
sem que eu me aperceba da trama,
sem que eu me enlace
na teia da qual sou parte.
volto ao poeta, assim fico em paz.
Clamo pela delicadeza.
Apelo para a gentileza
no olhar,
no sentir,
no respirar,
no pisar macio o solo sagrado
emprestado,
e dizer:
- Obrigado!
Zaira Belintani
Enviado por Zaira Belintani em 15/11/2020
Alterado em 13/12/2025