Zaira Belintani
Há que se trabalhar alma, corpo e mente, respirar fundo, ouvir a voz do coração.
Textos

HISTÓRIA DE AMOR
 

Para poder falar de amor,

eu teria que ter amado.

Teria que ter vivido

alguma paixão intensa

que faz virar a cabeça!

Passar as noites em claro,

sorrir feliz, falar sozinha

atropelando o tempo,
saltando os obstáculos

para ver chegar depressa 

o dia, a música, o encontro.

Para saber falar de amor

com certa propriedade,

eu teria que ter sofrido, 

quando, depois dos encontros

viesse um desencontro.
Nele, o amor partiria

sem a palavra adeus, 
conforme o prenunciado,

não gostar de despedidas.
E eu, me esvaindo em pranto

em silêncio pelos cantos,

por uma semana inteira.

Eu poderia até imaginar

que após a sua partida,

feito louca eu pensasse,

"melhor tivesse morrido,

pra não ver morrer o amor". 

Porque o triste do amor

deve ser o esquecimento:

a hora do sentimento

ir saindo devagar,

deixando no seu lugar

um vazio, um coração

feito casa abandonada,
feito planta no deserto.

Na minha percepção ,

após um mês da partida,

séculos haveriam se passado.

E, se do nada, o mesmo amor

voltasse assim de repente
tentando reavivar a chama,
não me reconheceria

na casa redecorada,
na alegria forçada

(escondida a cicatriz). 
Desse modo, algum dia,

nas páginas da saudade 

uma história eu contaria.

Zaira Belintani
Enviado por Zaira Belintani em 17/11/2020
Alterado em 28/01/2026
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