ONDE ESTÃO AS PALAVRAS?
Disfarçadas nos sinais, nos signos,
incógnitas nas entrelinhas,
subjetivas no olhar.
Palavras
nascem, vivem, e desaparecem,
mas são eternas em sua essência.
Busco por elas:
Literais, metafóricas,
explícitas, dissimuladas,
silenciosas, nunca ditas.
Palavras são infinitas.
Na pureza da poesia
palavras serão sentidas,
ora, em doce deleite,
ora, setas pontiagudas,
seu alvo, a alma dorida.
Há palavras
que se escondem
quando delas mais preciso.
Zombam de mim,
escarnecem da minha cegueira,
por eu não achar contexto.
Pobres palavras
sem eira nem beira.
Acabam amarrotadas
em bolinhas de papel,
no fundo da lixeira.