Quando viajei pela eternidade
não vi a luz no fim do túnel.
Não vi o barco de Caronte.
Ninguém do outro lado
nem um filme da vida inteira
passou pela minha cabeça.
Só eu, do alto, observando
meu corpo inerte no leito.
Limiar da existência
sopro de vida
intermitência
estertor
final.
Mas voltei.
Não por sentir pena de mim
(ali tão só)!
Não por meu apego justificável
nem por me julgar indispensável.
Só sei que voltei, e trouxe
a vaga lembrança
de ser nada, e de tudo ser
de estar lá e depois aqui.
O verossímil tornou-se real.
Eu me pego a questionar
se morte, afinal
só é a vida mudando de lugar.